QUARENTENA: Observadores de aves criam comedouros em casa

São Paulo é a maior cidade do brasil e de todo o hemisfério sul do planeta. Tem mais de 12 milhões de habitantes. É conhecida como a cidade que não para. Mas, de repente, tudo parou.

No comércio, as lojas fecharam as portas e as ruas ficaram desertas.

Por causa da pandemia do novo coronavírus, as pessoas foram obrigadas a se isolar em casa. O isolamento social não foi problema para o Tito, que é aposentado e mora na zona leste de São Paulo. Ele recebe visitantes todos os dias. O Tito alimentas as maritacas e as maracanã-pequenas da janela da casa dele. Ele faz isso há 4 anos.

Tito alimenta as aves da janela de casa

Há dois quilômetros da casa do Tito, um fenômeno interessante. Em um prédio com fachada de tijolos, as aves pousam todos os dias. É como se elas “colassem” no edifício.

Segundo especialistas, os psitacídeos costumam comer argila para suprir a deficiência em minerais e neutralizar as toxinas de algumas plantas. No caso do prédio, o curioso é que as aves pousam na fachada há mais de 20 anos e os tijolos não estão danificados.

São cerca de 20 minutos parados no edifício. Depois, elas descem para as árvores do condomínio. E começa um barulho intenso.

Fachada de prédio onde as aves pousam diariamente

São Paulo tem 507 espécies de aves, segundo o inventário de fauna silvestre da prefeitura. Com a pandemia, algumas pessoas criaram comedouros em suas próprias casas.

O analista de sistemas, Ney Matsumara, passou a trabalhar em home office. Mas a rotina agora começa mais cedo, cortando as frutas que vão para comedouro que ele construiu.

Sobre a ideia do comedouro, ele diz: “Ficar sem passarinhar não estava dando. Comecei a fazer umas listas e falei: vou tentar montar um comedouro”. O observador de aves diz que se surpreendeu com as espécies que apareceram no comedouro. “Eu acho que já vi 33 espécies aqui de casa. O próprio gavião miúdo, eu não tinha uma foto que eu gostasse dele. De repente, ele pousa a 4 metros de distância e dá um monte de fotão”, diz.

Comedouro na casa do Ney Matsumara

Na zona sul da cidade, o advogado Marco Silva, que também atua como guia de observação de aves, também construiu um comedouro. “No começo da pandemia fiqueis uns 30 dias dentro de casa e, como antes eu tinha muita atividade externa, eu estava muito entediado, muito chateado, resolvi começar a fazer o comedouro aqui no quintal da casa dos meus pais”, disse o advogado.

Marco disse que já apareceram 40 espécies de aves no comedouro. ”A que me surpreendeu mais foi a saíra-de-papo-preto, porque eu nunca tinha visto essa ave na cidade de São Paulo, só tinha visto mais pra Minas, mais para o interior. E foi uma surpresa”.

O advogado já pensa no futuro do comedouro do quintal dele. “Eu gostaria muito de continuar. isso é até uma preocupação, porque eu trabalhava viajando muito, eu guiava pelo Brasil e agora minha preocupação é se voltar ao normal, quem vai manter o comedouro?”.

Na zona oeste da cidade, a bióloga Daniela Maia aproveitou uma área verde do condomínio onde mora para fazer um comedouro. Ela abastece todos os dias com frutas e coloca água para as aves.

Flagrante no comedouro da Daniela Maia: banho de um Sabiá-laranjeira

Eu tinha o hábito de sair para observar aves todos os fins de semana. Então, ficar dentro de casa todo esse tempo me deixou angustiada. Como eu tinha tempo livre, resolvi tentar e no dia em que eu trouxe as frutas pela primeira vez no comedouro, as aves já vieram, não foi tão difícil”, disse a bióloga, que pretende levar conhecimento sobre natureza e preservação ambiental aos moradores do prédio. “Para a minha surpresa, colocando o comedouro, eu pude observar mais aqui dentro do prédio e eu observei espécies que nunca tinha visto aqui. O maior objetivo que eu tenho é, talvez, mostrar para os condôminos a importância de a gente preservar essa área do prédio”, disse ela.

Apesar do comedouro em casa, a bióloga ainda sente falta das saídas para observação de aves. “Espero que a gente possa voltar em breve. Estou com saudade dos amigos e estou com saudade das viagens também. A observação de aves trouxe a oportunidade de conhecer muitos lugares que eu não imaginava poder visitar, então é muita expectativa para os próximos meses”, afirma a bióloga.

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Rogério SiqueiraQUARENTENA: Observadores de aves criam comedouros em casa

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